Pular para o conteúdo
WhatsApp
Arte de notícia sobre parcela de imóvel rural e o risco de não obter matrícula própria por parcelamento irregular. Arte de notícia sobre parcela de imóvel rural e o risco de não obter matrícula própria por parcelamento irregular.
Foto: Manoel Messias de So… / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Comprou uma parte de imóvel rural? Parcelamento irregular pode impedir o registro

Comprar uma parte delimitada de área rural não garante matrícula própria. Entenda por que o parcelamento precisa estar regular antes do registro.

Por Bárbhara Lopes | Redação e Conteúdo | Escritório Resolve

Comprar uma parte de uma fazenda, sítio ou outra área rural e receber um contrato com a metragem e os limites do terreno não significa, por si só, que aquela parcela já possa ter uma matrícula própria no Registro de Imóveis.

O que você precisa saber

  • O Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) manteve a exigência do Registro de Imóveis e negou a matrícula própria de uma área rural vinda de um parcelamento não regularizado.
  • No caso, faltava o projeto completo do loteamento e o parcelamento não estava averbado na matrícula de origem.
  • A decisão vale para aquele caso concreto e não cria, sozinha, uma regra automática para os cartórios da Bahia.
  • Na divisão de imóvel rural também contam regras agrárias, como a Fração Mínima de Parcelamento (FMP) de cada município, segundo o Incra.
  • Antes de comprar parte de uma área rural, confira a matrícula de origem e como aquela parcela foi formada.

Uma decisão do Tribunal de Justiça do Tocantins, divulgada pelo Instituto de Registro Imobiliário do Brasil (IRIB) em 2 de outubro, chamou atenção justamente para esse problema.

O que aconteceu no caso

O processo discutia a tentativa de registrar separadamente uma área que veio de um parcelamento não regularizado.

Segundo a decisão divulgada pelo IRIB, faltava o projeto completo do loteamento e o parcelamento não estava averbado na matrícula de origem. O Tribunal manteve a exigência feita pelo Registro de Imóveis e entendeu que, naquele caso, não era possível abrir o registro individual da parcela.

A preocupação do registro era evitar que uma nova matrícula fosse criada sem segurança suficiente sobre localização, limites, disponibilidade da área e possível sobreposição com outras parcelas.

Ter contrato não é a mesma coisa que ter um imóvel individualizado

Esse ponto é especialmente importante na negociação de áreas rurais.

O comprador pode ter um contrato, saber exatamente qual parte ocupa e até usar o imóvel há anos. Ainda assim, a situação no registro pode ser diferente.

Para que uma área passe a existir como imóvel independente no Registro de Imóveis, é preciso verificar se a divisão que deu origem a ela atende às exigências legais e do registro. Sobre esse tema, veja também o que fazer quando você comprou um imóvel apenas com contrato de compra e venda.

ENTENDAComprei um imóvel apenas com contrato de compra e venda: como regularizar?

Imóveis rurais têm regras próprias para divisão

Além das exigências do Registro de Imóveis, a divisão de áreas rurais também pode envolver regras cadastrais e agrárias.

O Incra explica que cada município tem uma Fração Mínima de Parcelamento (FMP), que funciona como parâmetro para o desmembramento de imóveis rurais. Existem exceções previstas em lei, mas elas precisam ser analisadas conforme a situação concreta.

Ou seja: não é seguro tirar conclusões só pela metragem da área ou pelo fato de existir um contrato de compra e venda.

O que essa decisão muda na Bahia?

A decisão foi tomada pelo Tribunal de Justiça do Tocantins num caso específico. Ela não cria, sozinha, uma regra automática para os cartórios da Bahia.

A notícia é relevante porque mostra um problema que pode aparecer em negócios parecidos: o fato de uma parcela de terra existir fisicamente não significa que ela esteja juridicamente pronta para receber matrícula própria.

Por isso, antes de comprar uma parte de uma área rural, é importante examinar a matrícula de origem e entender como aquela parcela foi formada.

E se o cartório já apresentou uma nota de exigência?

A nota de exigência deve ser analisada a partir do documento apresentado ao cartório e da situação da matrícula.

Dependendo do caso, pode ser preciso regularizar o parcelamento, completar a descrição do imóvel, apresentar documentos técnicos ou adotar outro procedimento antes que o registro seja possível.

Não existe uma solução única para todas as situações. Veja como resolver uma nota de exigência do cartório de registro de imóveis.

PASSO A PASSOComo resolver uma nota de exigência do Cartório de Registro de Imóveis

Fonte: IRIB — Instituto de Registro Imobiliário do Brasil, 02/10/2026

Comprou parte de uma área rural ou recebeu uma nota de exigência?

A Resolve analisa a documentação e identifica quais pendências precisam ser resolvidas antes de seguir com o registro.

Falar com a Resolve no WhatsApp
Bárbhara Lopes

Bárbhara Lopes | Redação e Conteúdo | Escritório Resolve

Acompanha as notícias que mexem com imóveis, financiamento e cartórios em Juazeiro e região, e traduz para você o que muda na prática.

Compartilhe este artigo